Aplicação de biossurfactante de Rhodococcus erythropolis ATCC 4277 na remoção de hidrocarbonetos de borra oleosa da indústria do petróleo

O aumento no volume de óleo cru produzido e processado, como consequência do desenvolvimento da indústria do petróleo e das demandas da sociedade moderna, tem conduzido a uma grande problemática ambiental, associada ao acúmulo de resíduos oleosos que são gerados durante a produção, transporte e refino de petróleo.

Adicionalmente, acidentes recentes que resultam na contaminação de aquíferos e solos demandam ações remediadoras no sentido de remover e tratar os poluentes desses ecossistemas. Medidas rigorosas para minimizar a geração de resíduos e a ocorrência de acidentes, bem como a viabilização de tecnologias para remover e tratar resíduos de petróleo, e com isso reduzir a ocorrência de impactos ambientais, têm sido propostas, sendo algumas dessas adotadas em escala industrial.

Compostos de superfície-ativa naturais derivados de microorganismos, também conhecidos como compostos biossurfactantes, têm despertado a atenção nos últimos anos devido as suas significativas vantagens em relação aos surfactantes químicos, como baixa toxicidade, melhor biodegradabilidade e viabilidade ambiental.

A maioria dos surfactantes de origem microbiana são moléculas complexas, que apresentam diferentes estruturas, tais como glicolipídeos, glicopeptídeos, ácidos graxos e fosfolipídeos. O presente trabalho tem como foco a aplicação de biossurfactante produzido por uma espécie de Rhodococcus erythropolis, crescida em meio contendo glicerol como fonte de carbono. O biossurfactante produzido por essa bactéria foi parcialmente caracterizado usando extração com clorofórmio/metanol (2:1) seguida de análise comparativa em HPLC e espectrometria de infravermelho da fase orgânica.

Os resultados permitiram identificar o biossurfactante produzido como sendo do tipo glicolipídeo, constituído por trealose em sua porção hidrofílica. A concentração máxima de biossurfactante (1,5 g/L), medida em função da trealose presente, foi obtida após 50 horas de cultivo. O meio fermentado isento de células foi então avaliado na lavagem submersa de borra oleosa, originária de câmaras de separação óleo/água de uma Refinaria Brasileira, alcançando remoções de 95% dos hidrocarbonetos da fase oleosa da borra. Também, o meio livre de células apresentou valores de 100 mg/L para a Concentração Micelar Crítica (CMC); 43 mN/m para a tensão superficial; 15 mN/m para a tensão interfacial e um índice de emulsificação (IE24) de 62% em relação ao hexadecano. Os resultados são muito promissores, referenciando o potencial do meio contendo biossurfactantes para procedimentos de remoção de hidrocarbonetos de resíduos sólidos gerados pela indústria do petróleo.

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