Avaliação do impacto do aumento das concentrações celulares na biodegradação de resíduos oleosos de petróleo

Os resíduos oleosos vêm se tornando, com o aumento da produção mundial de petróleo, uma crescente preocupação ambiental. Normas muito mais rígidas na manipulação e disposição deste material recalcitrante, bem como a dificuldade no seu tratamento em função da composição variada adquirida ao longo do processamento do petróleo, abrem um campo vasto para a pesquisa científica tecnológica.

O presente trabalho visou o tratamento biológico, em biorreator aerado e agitado mecanicamente, de um resíduo oleoso de petróleo, denominado "borra de separador água/óleo (SAO)", gerado em uma das etapas de tratamento do óleo cru na Unidade de Exploração e Produção de Sergipe e Alagoas (UN-SEAL), Município de Carmópolis/SE, Brasil.

O resíduo, coletado na caixa de separação água/óleo da estação coletora de Nova Magalhães, apontou elevada salinidade (0,32% p/p na borra bruta; 860 mg/L no solubilizado) e alto teor de enxofre (2,5% p/p), demandando, assim, o emprego de estratégias biológicas para a otimização da sua biodegradação, tal como o bioaumento.

A aplicação desta estratégia, em biorreator de bancada, foi responsável tanto pelo aumento da extensão (85% p/p) e da taxa de biodegradação (1,12 %/dia) quanto pelo estabelecimento de uma densa população microbiana no meio (1021 UFC/mL). Tais resultados, principalmente se comparando àqueles obtidos no tratamento da borra sem acréscimo de células (56% de remoção de óleos e graxas com uma taxa de 0,69 %/dia; população máxima de 1018 UFC/mL), demonstraram a aplicabilidade da técnica de bioaumento como uma alternativa interessante para o biotratamento de borras oleosas geradas nas atividades produção de petróleo, tidas, até então, como resíduos recalcitrantes.

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