Prospecção tecnológica através de depósitos de patentes para produção de proteínas terapêuticas de interesse brasileiro

Esse estudo tem como objetivo a realização de uma análise prospectiva e mercadológica do setor de proteínas terapêuticas, utilizando como metodologia a análise patentária. As moléculas foram selecionadas após avaliação de três critérios: produto estratégico obtido através de rota biológica, medicamento com aquisição centralizada pelo Ministério da Saúde e biofármaco incluído na lista de medicamentos com os maiores valores aprovados pelo Ministério da Saúde (MS) em 2007. Ao final da etapa preparatória foram selecionados os seguintes biofármacos: Betainterferona, Fator VIII, Filgrastima, Imiglucerase, Infliximabe e Somatropina, os quais não são produzidos no Brasil e possuem alto custo para o MS.

Como fonte de informação foi utilizada a base para investigação de patentes Derwent Innovations Index (DII), utilizando-se como estratégia de busca palavras chaves e a Classificação Internacional de Patentes (CIP) para a área biotecnológica: A61K, A61P e C12N. Além disso, utilizou-se como ferramenta de mineração de texto (data mining), o programa VantagePoint 7.1.

Foi avaliada a tendência dos depósitos, a evolução histórica dos biofármacos, perfil geográfico dos depositantes, bem como a classificação das empresas e/ou instituições depositantes de patentes (players), sendo possível identificar as detentoras de tecnologias. Os principais depositantes de patentes para as proteínas terapêuticas selecionadas foram as Big Pharma, detentoras das tecnologias consolidadas, bem como as empresas portadoras de tecnologia de futuro (empresas emergentes ou spin-offs), sendo que essas últimas estão cada vez mais disputando o mercado com as grandes corporações.

Para finalizar o estudo, foram gerados mapas de conhecimento através da correlação cruzada dos 20 maiores depositantes de patentes para cada proteína terapêutica, alcançando-se 15 clusters, sendo um cluster do Fator VIII, dois clusters para Betainterferona e Infliximabe, três clusters de Imiglucerase e Somatropina, e por último quatro clusters para Filgrastima. Com o programa Aduna Cluster foi possível observar as conectividades existentes entre os depositantes, apresentando de forma clara as patentes depositadas como resultado das parcerias.

No estudo da proteína Betainterferona destacou-se a divisão Merck Serono como principal ator do mercado, com o interesse no desenvolvimento da formulação, além de identificar um segundo uso no tratamento para Hepatite C. A avaliação para a proteína Fator VIII identificou a empresa Baxter como a central entre as parcerias com outras empresas, inclusive as conceituadas, demonstrando a liderança dessa empresa no mercado, com foco das patentes na composição farmacêutica de formulação líquida.

A prospecção tecnológica para a proteína Filgrastima demonstrou a necessidade de um maior aprofundamento para a obtenção de informações mais consistentes, mas identificou-se a busca por compostos orgânicos como alternativa para o tratamento de algumas doenças em substituição da proteína Filgrastima, o mesmo também foi identificado para Infliximabe, sendo uma tendência apresentada por alguns depositantes.

Os depósitos para a enzima Imiglucerase confirmaram que as empresas estão buscando inovação sem parcerias, mas as informações apresentadas dificultam a identificação das tendências tecnológicas, provavelmente como estratégia de proteção do desenvolvimento de um produto rentável. Porém, avaliando o mercado, identificou-se a busca por produtos não biossimilares que são capazes de serem administrados em pacientes com a doença de Gaucher.

Na avaliação para a proteína Infliximabe, observou-se que a empresa Centocor busca a manutenção de seu monopólio no mercado, através de depósitos sem parcerias relacionados à produção e composição do medicamento.

Por último, provavelmente devido à molécula Somatropina apresentar um grande número de produtos comercializados, foi relacionado um pequeno número de parcerias entre as empresas consolidadas. Conclui-se que essas empresas não necessitam de parcerias para desenvolver ou melhorar os seus produtos, pois já detêm o conhecimento tecnológico sobre a proteína Somatropina.

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