Identificação e análise de empresas internacionais produtoras de etanol 2G

O mundo teve sua industrialização sustentada pela utilização de matérias-primas de fontes fósseis, que são altamente poluidoras e têm previsão de esgotamento das reservas nas próximas décadas. Além disso, a economia global se tornou altamente sensível e dependente a variações em preço e demanda dessas fontes. Por isso, esforços em pesquisa e desenvolvimento têm sido realizados para a produção de energia, combustíveis e derivados, usando tecnologias menos poluentes e matérias- primas de fontes renováveis. Neste contexto, o etanol de segunda geração é estratégico. Após décadas de pesquisa e desenvolvimento para a produção deste biocombustível, o ano de 2013 marca o início da produção efetiva de etanol 2G em escala industrial.

O presente trabalho teve como objetivo estudar as empresas produtoras para a identificação das principais matérias-primas utilizadas e tendências tecnológicas, auxiliando nos futuros esforços em pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil e no mundo. Foram identificadas e analisadas empresas produtoras que utilizam diferentes plataformas tecnológicas: rota bioquímica, rota termoquímica e processos híbridos. Atualmente a capacidade nominal de produção em escala industrial é de 18,3 milhões de galões por ano. Muitas unidades fabris estão em construção e estima-se que essa capacidade aumente para 387,3 milhões de galões por ano até 2015.

Como resultado da pesquisa, observou-se que a rota bioquímica é a mais utilizada, representando 74% das empresas produtoras. Nesta plataforma tecnológica, as matérias-primas mais utilizadas dependem do potencial agroindustrial de cada região: resíduos da colheita de milho (EUA), palha de trigo (Europa), bagaço de cana-de-açúcar (Brasil). Entretanto, a rota termoquímica se mostrou mais vantajosa na utilização do lixo sólido municipal. A maioria das empresas produtoras por rota bioquímica está realizando a hidrólise enzimática da celulose separadamente à fermentação, pois esta estratégia possibilita a utilização dos açúcares gerados no pré-tratamento para a produção de bioprodutos de alto valor agregado nas biorrefinarias. Com o mesmo objetivo, as empresas produtoras por rota termoquímica têm produzido metanol como intermediário químico, viabilizando a produção de diversas moléculas para o setor químico e petroquímico, além do etanol. Considerando a rota bioquímica, algumas empresas têm realizado esforços para a produção de suas próprias enzimas para reduzir o custo final do etanol 2G.

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