Prospecção tecnológica da produção ácido lático no contexto de biorrefinaria: tendências e oportunidades

O ácido lático é um ácido orgânico muito importante para o setor industrial, sendo largamente utilizado na indústria de alimentos, farmacêutica e de cosméticos. Nas últimas décadas, o desenvolvimento da tecnologia de produção do ácido lático pela rota bioquímica tornou-se foco de pesquisas científicas no mundo todo, devido à possibilidade de utilização deste como bloco de construção para a indústria química em substituição aos derivados petroquímicos, principalmente na produção do polímero de ácido lático, conhecido como PLA (polilactato).

Neste trabalho foi realizada a prospecção tecnológica da produção do ácido lático a partir da análise de indicadores de desenvolvimento tecnológico como as patentes e os artigos científicos. A pesquisa de patentes foi realizada no portal Espacenet e resultou em 911 documentos relacionados à produção do ácido lático por processo fermentativo. Com relação aos artigos científicos, foi realizado levantamento no Portal Capes, levando a 12.642 documentos.

Pela análise do conteúdo das patentes e dos artigos científicos foi possível verificar que os principais avanços tecnológicos na área estudada estão relacionados ao desenvolvimento de microrganismos mais tolerantes ao ácido lático e capazes de produzir um dos isômeros deste ácido com alto grau de pureza, à implementação do processo de eletrodiálise em substituição à precipitação na etapa de recuperação do ácido e à utilização de resíduos agrícola/industriais como matérias-primas no processo fermentativo, principalmente as biomassas de composição lignocelulósica.

Foram encontradas 161 patentes depositadas e 3070 artigos científicos publicados entre 2010 e 2015 relacionados ao desenvolvimento de microrganismos acidófilos ou de microrganismos capazes de produzir um dos isômeros do ácido lático com alto grau de pureza. Com relação à eletrodiálise, foram encontradas 16 patentes e 436 artigos científicos no período de tempo citado. E a respeito da utilização de matéria-prima de composição lignocelulósica foram encontradas 32 patentes e 651 artigos científicos publicados entre 2010 e 2015.

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